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Especialista em enxaqueca: existe? E o que procurar num médico

Não existe título dedicado à enxaqueca. Existe critério — e critério é melhor que título.

Se você procurou por especialista em enxaqueca, procurou a coisa certa pelo nome errado. No Brasil não existe essa especialidade: não há título, registro nem prova que forme um médico dedicado exclusivamente à enxaqueca.

Isso não é má notícia. Significa só que o critério para escolher não está no título — e que existe um critério melhor, que você consegue verificar já na primeira consulta.

Quem trata enxaqueca no Brasil

Enxaqueca é diagnóstico clínico. Não há exame de sangue nem imagem que a confirme: o diagnóstico vem da história, do padrão das crises e do exame físico. Por isso ela é tratada a partir de mais de uma formação.

Nenhuma dessas formações é, sozinha, uma garantia. Um médico pode ter o título mais alinhado ao tema e ver enxaqueca uma vez por mês; outro pode ver enxaqueca todos os dias. Quem convive com crises sente a diferença entre esses dois já no primeiro retorno.

O que realmente muda o resultado

Enxaqueca não se resolve numa consulta. Ela se trata por ajuste ao longo do tempo: testa, mede, corrige. A primeira escolha de medicação acerta em cheio com menos frequência do que se imagina — e isso é normal, faz parte do método.

A consequência prática é que a qualidade do acompanhamento pesa mais do que a sorte na primeira prescrição. Um preventivo bem escolhido e abandonado na terceira semana rende menos que um preventivo mediano acompanhado até a dose certa.

Acompanhar, aqui, tem significado concreto: medir os mesmos números a cada retorno — dias de dor no mês, dias de uso de medicação, intensidade média — e mudar a conduta com base neles. Sem esses números, qualquer avaliação sobre estar melhorando vira memória e impressão, que são péssimos instrumentos de medida quando se trata de dor.

Por isso a pergunta útil não é qual o título dele. É quantas pessoas com enxaqueca ele acompanha, e o que ele faz com elas ao longo dos meses.

Cinco perguntas antes de escolher

Todas podem ser feitas — ou simplesmente observadas — na primeira consulta:

Se o que você recebeu foi um analgésico mais forte e nenhuma data de retorno, isso não foi tratamento de enxaqueca. Foi tratamento de uma crise — o que resolve o dia, não o mês.

Metade da escolha é sua

O melhor médico do mundo trabalha com o que você conta, e a memória trai na hora da consulta. Duas ou três semanas de registro simples — dia, intensidade, duração, o que tomou e se ajudou — mudam completamente o que é possível fazer logo no primeiro encontro. Se ajudar a manter o hábito, o Diário de Dor faz esse registro em alguns toques e monta o resumo para a consulta.

Vale saber o que levar e como se preparar antes de marcar. É a diferença entre uma consulta sobre impressões e uma consulta sobre dados.

Quando não é hora de escolher médico

Alguns quadros não comportam agenda. Procure atendimento imediato, em pronto-socorro, diante de qualquer um destes:

Nada disso é comum, e a imensa maioria das dores de cabeça não é nada disso. Mas são as situações em que a pressa vale mais do que a escolha certa.

Onde eu entro

Sou médico de família e comunidade, CRM-SP 197.262 · RQE 105576, com pós-graduação em dor crônica. Dediquei minha prática a enxaqueca e dor crônica: é o que faço todos os dias, e é o que me permite acompanhar de perto em vez de apenas prescrever.

O atendimento é online, para todo o Brasil, com contato entre as consultas para ajustar o que precisa ser ajustado sem esperar o mês seguinte.

Se você chegou aqui procurando um título, leve daqui um critério. Ele serve para avaliar qualquer médico que for cuidar da sua enxaqueca — inclusive para decidir não me escolher.

Dr. Gabriel Krauss Médico de Família · dor crônica · CRM-SP 197.262
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