Um diário de dor que dá para manter
Registre cada crise em menos de um minuto e chegue à consulta com dados, não com impressões.
Quase toda orientação sobre enxaqueca termina no mesmo lugar: “anote suas crises”. E aí a pessoa abre o bloco de notas, registra duas, desiste na terceira — e volta ao consultório dizendo “acho que foi umas cinco vezes esse mês, mais ou menos”.
O problema raramente é falta de disciplina. É que anotar no meio de uma crise, com a luz incomodando e enjoo, precisa ser rápido. O Diário de Dor foi feito para isso: alguns toques, sem obrigar a digitar nada, e pronto.
Por que duas semanas de registro mudam a consulta
Duas informações costumam decidir a conduta e quase nunca chegam prontas: quantos dias por mês você sente qualquer dor de cabeça e quantos dias por mês você toma qualquer coisa para dor.
A primeira separa enxaqueca episódica de crônica — o corte é objetivo, 15 dias de dor por mês. A segunda é o que revela a dor por uso excessivo de analgésico, uma das causas mais comuns de piora e também das mais reversíveis. Nenhuma das duas se responde de memória.
Duas ou três semanas de registro simples já mudam o que é possível fazer no primeiro encontro. Não precisa ser perfeito nem ininterrupto — precisa ser honesto.
O que o diário pergunta
- Quando começou — data, horário e duração aproximada.
- Intensidade, de 0 a 10, numa escala que descreve cada nível em palavras.
- Onde doía — um lado, testa, têmporas, nuca, toda a cabeça.
- Sintomas junto — náusea, vômito, incômodo com luz ou som, aura, tontura.
- Possível gatilho — sono ruim, jejum, ciclo menstrual, estresse, tela, álcool, cheiro forte.
- Medicação — o que tomou, a que horas, e se ajudou.
Tudo em botões. A única coisa que dá para digitar é uma anotação livre, e ela é opcional.
O resumo que vai para a consulta
A qualquer momento o diário monta um relatório do período: número de crises, intensidade média, duração média, quais gatilhos mais se repetiram e quais medicações ajudaram.
Dá para imprimir, salvar em PDF ou mandar pelo WhatsApp antes da consulta. Serve para qualquer médico, não só para mim — se você já se trata com alguém, leve para essa pessoa.
Seus dados
Você pode usar o diário sem criar conta: nesse caso os registros ficam só no seu aparelho e nada é enviado pela internet. A contrapartida é que limpar os dados do navegador, trocar de celular ou usar aba anônima significa perder o diário.
Se quiser que os registros sobrevivam a isso, dá para criar uma conta com e-mail e senha. Aí eles passam a ficar guardados num servidor — e só depois de você aceitar isso explicitamente, numa tela que diz o que vai ser guardado. A qualquer momento você pode baixar tudo o que está lá ou apagar a conta inteira, cadastro incluído.
O diário é gratuito, e não é preciso ser meu paciente para usar.
O detalhe de tudo isso — o que fica guardado, com quem, por quanto tempo e como apagar — está na política de privacidade.
Este diário não substitui atendimento médico. Ele serve para organizar o que você sente entre as consultas. Procure atendimento de urgência se a dor começar de forma súbita e muito forte, for diferente das suas crises de sempre, ou vier acompanhada de febre, confusão, perda de força, ou alteração na fala ou na visão.
Conteúdo informativo, escrito para ajudar você a entender a sua dor. Não substitui consulta, diagnóstico ou orientação médica individual.